Mãos do meu pai
Cinco dedos tem uma mão
Pele, ossos, impressões digitais e pêlos
Músculos, tendões , pulsação
Unhas nos dedos
Mas não as do meu pai
Rugas cansaço de tanta dedicação
Carinho que vai lá vai
Na mão tem meu coração
No abismo das rugas
Mora a minha admiração
Debaixo das unhas
Pedaços da minha educação
Nas suas mãos linhas de sofrimento vivem
Nas suas impressões digitais a minha personalidade
Suas mãos grandeza exibem
Seus pelos simbolizam liberdade
Meu pai não tem apenas mão
Tem toda a beleza da vida
Tem nos dedos a paixão
Tem lá minha força inserida
Melancolia, escrevo-te
De novo te escrevo com Melancolia
No peito a explodir
Espesso, cansativo, inacabável é meu dia
Dentro de pouca vontade começo a imergir
Minha mente procura alegria
O corpo pede para partir
Um aperto, um vazio expande-se no meu ser
Felicidade só por um dia
Bastava cá aparecer
Oh triste melancolia
Para quê te conhecer?
Deixa essa mania
Peço que me deixes viver
Se a dor que sinto nem sei porquê
Arrancasse de mim pedaço
Arrancaria agora o quê?
Está já tudo esparso
Viver mais para quê?
Deixa apenas o meu espaço
Abandona a minha mente
Ou dá de uma vez o laço
Que se torne permanente
Já que não posso ser feliz
Que o não seja eternamente
Neve bem branca
Num monte muito alto
Nevava neve bem branca
Cai sobre terra, árvores, e sobre mato
Mas quem a de lá arranca?
Num dia tudo branco
No outro o verde predomina
Voltei ao mesmo “empanco”
Quem a de lá elimina?
Será o quente do vulcão
Que a derrete na colina
Ou o escaldante coração da população
Que
a
faz
escorregar
E arrefecer o pulso
Da multidão que por ela parece sonhar?
Perguntas que faço por simples filosofia
Até me podem explicar
Mas prefiro acreditar
Que ela aparece um dia
E no outro desce para nos arrefecer
Pois temos o coração quente
De ver o sol nela bater
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Escreve algo de jeito